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Os Heróis da Revolução - Resenha

by Luiz Jr 18. julho 2014 00:45

Heróis da Revolução

O título original em Inglês soa melhor, mas Hackers: The Heroes of the Revolution é um ótimo livro de qualquer jeito. Ok, confesso que fui seduzido pela capa, com as silhuetas de Jobs, Wozniak, Gates e Zuckerberg e a chamada de como eles mudaram nossas vidas. Confesso também que me decepcionei ao saber que esta foi apenas uma jogada de marketing e que Zuckerberg nem mesmo é citado no livro. De qualquer forma, foi uma ótima leitura e hoje trago um breve resumo para quem possa se interessar pelo livro.

A Primeira Geração de Hackers

O livro foi escrito por Steven Levy em 1983. Sim, isso mesmo, é um livro muito velho. Mas a história que ele conta é mais velha ainda, dos primeiros hackers originados no MIT, na década de 60. Oriundos de um clube eletrônico de ferreomodelismo (aqueles autoramas com trenzinhos, sabe?) os jovens e brilhantes garotos que mais tarde seriam cohecidos pelas suas façanhas computacionais ocupavam seus dias soldando componentes e montando placas de circuitos até que o investimento militar trouxe os primeiros grandes mainframes de pesquisa e eles foram cativados pelo poder da computação. O livro cita nomes e conta as histórias de hackers famosos como Bill Gosper, David Silver, Stew Nelson, entre outros e confesso que essa primeira parte é um pouco curiosa e monótona, mas é importante pois é nela que se forma o conceito da ética Hacker e desmistifica a crendice popular de que hackers são bandidos digitais, quando na verdade um hacker é um perito tecnológico que ama a tecnologia e acredita que ela deve ser sempre desenvolvida e compartilhada das melhores maneiras possíveis.

A Segunda Geração de Hackers

Avançando no tempo e chegando na década de 70, durante o início da revolução do computador pessoal, conhecemos os hackers de hardware, considerados da segunda geração. Gênios como Steve Wozniak, Ed Roberts e o famoso Capitão Crunch são enaltecidos através de seus importantíssimos papéis para o desenvolvimento dos primeiros PCs, seja em suas fábricas como a Mits, seja em suas garagens e no Homebrew Club. É neste capítulo que a narrativa se torna mais empolgante com a corrida computacional para ver quem emplacava o melhor modelo, quem democratizaria mais o acesso à tecnologia. Alguns nomes são citados de relance, como o de Bill Gates, que desenvolveu uma das primeiras linguagens de programação para estes novos computadores e fez fortuna com os royalties dos produtos da Microsoft, sua recém fundada empresa. Conta também o vertiginoso crescimento da Apple, bem como de outras empresas que rapidamente foram engolidas.

A Terceira Geração de Hackers

Inusitadamente a terceira geração, na década de 80, são a dos hackers de jogos, que criaram toda uma indústria biolionária sobre outra indústria bilionária com games para computadores pessoais. Antes dos hackers de jogos, os computadores possuíam programas para criar programas. Basicamente eram máquinas para trabalho e com o advento dos primeiros jogos para computador, repetindo títulos das máquinas de fliperama, criou-se um universo de aficcionado por computadores que usavam a máquina não apenas para trabalho, mas agora para lazer também. Nomes como Ken Willians, da Sierra, John Harris, criador do Frog, entre diversos outros ícones desta indústria são profundamente examinados bem como os jogos que marcaram a época desde sua concepção até alguns pormenores técnicos. Simplesmente a melhor parte do livro, na minha opinião.

O Último dos Hackers

Finalmente o livro termina traçando a trajetória do Richard Stallman, criador do GNU, da Fundação do Software Livre e do Emacs, que é considerado o último hacker original do MIT, que ainda hoje briga para que o legado dos hackers seja mantido, respeitado e levado adiante. Extremamente radical e intolerante, Stallman vê no software proprietário uma praga a ser eliminada da face da Terra. O livro fala também do que mudou na vida dos hackers, através de duas atualizações, uma de 1993 e outra dos anos 2000, e é bem curioso.

Como mencionei anteriormente, o livro é bem monótono no início e demorei alguns meses para concluir o primeiro capítulo. Entretanto os seguintes são bem mais contemporâneos e dinâmicos, e em especial a terceira geração de hackers me deixou muito inspirado em voltar a fazer alguns jogos como hobby, obviamente usando Corona SDK, meu framework mobile favorito.

Até a próxima!

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Livros

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Corona Editor: A Melhor IDE para Corona SDK

by Luiz Jr 10. julho 2014 19:47

Corona Editor

Voltando aos estudos de Corona SDK depois de um hiato de 2 anos, o primeiro passo é se atualizar. Quando comecei a mexer com Corona, o mesmo era desenvolvido pela startup Ansca Mobile, no coração do Vale do Silício. Com a proporção que Corona tomou, com mais de 300 mil desenvolvedores ao redor do globo e apps matadoras, algumas com mais de 35 milhões de downloads, hoje a empresa se rendeu ao seu produto matador e trocou de nome para Corona Labs. Isso mostra a força do produto e a intenção da ex-Ansca em torná-lo cada vez um framework mais presente na vida dos desenvolvedores mobile. Mas e as ferramentas?

Muitos perguntam o que eu uso para desenvolver com Corona SDK. Já usei notepad e por muito tempo usei o Scite, um editor de código Lua que vem junto com pacote Lua for Windows. Ele não é um software voltado para o Corona e por isso sua ajuda era bastante limitada. Mais pra frente me deparei com um plugin para IntelliJ IDEA que inclusive mencionei em um antigo post, mas que também não era lá grandes coisas. Ouvi dizer que algumas pessoas usavam um plugin para Eclipse, que infelizmente não tive a oportunidade de testar e quando estava encerrando meus estudos e lançando o livro traduzido para desenvolvimento com Corona eu encontrei o Corona Project Manager, que é um software pago que dizem ser muito bom. Hoje venho trazer uma solução gratuita e que supera de longe todas as ferramentas que usei anteriormente para desenvolver com Corona: o Corona Editor.

Corona SDK

Primeiro: entenda o que é o Corona SDK

Se você caiu de pára-quedas nesse post e não conhece a minha paixão antiga por Corona SDK, saiba que é um kit de desenvolvimento de apps e games multiplataforma. Ou seja, você desenvolve para Android e iOS uma única vez e publica nas duas lojas! Claro, tem algumas diferenças, algumas restrições e até alguns custos envolvidos, mas a ideia é essa. Você pode baixar e desenvolver em Corona gratuitamente e inclusive publicar nas lojas sem pagar um centavo sequer. Somente precisará abrir a carteira se quiser ganhar grana com seu jogo, para ter acesso às APIs de monetização, compras no app, etc. Afinal, não existe "almoço grátis", não é mesmo?

Você pode (e deve) baixar o Corona gratuitamente após fazer seu cadastro no site oficial: http://www.coronalabs.com

O que é o Corona Editor?

Dizer que é uma IDE chega a ser um exagero, mas isso não diminui a sua utilidade. Corona Editor é o mais novo plugin, desta vez oficial, para programar com Corona SDK, mas desta vez optaram por desenvolver o plugin para o editor de código Sublime Text. Esse editor é muito conhecido dos webdesigners para uso com CSS e HTML, bem como de outros profissionais que lidam muito com linguagens de script. Uma vez instalado e configurado, o Sublime Text vai lhe fornecer recursos avançados de codificação como highlight syntax, intellisense, reference mapping, busca no código, cestruturação do seu projeto, além de depuração do seu código Lua e execução do simulador a partir de teclas de atalho.

O passo-a-passo a seguir ensina como baixar e configurar o Sublime Text no Windows, mas imagino que não deva ser muito diferente do Mac também. Não, Corona não funciona no Linux.

Sublime Text

Passo 1: Sublime Text

Acesse o site oficial do Sublime Text e baixe a versão 3, que apesar de estar em beta já está em uso no mercado há anos e é a versão recomendada para uso com Corona Editor. O link é http://www.sublimetext.com/3

Depois de instalar o mesmo (não se preocupe ao baixar a versão trial gratuita pois ela não expira) temos de instalar o gerenciador de pacotes do Sublime, que pode ser obtido neste link:

https://sublime.wbond.net/installation

Apenas abra a janela do console e cole os scripts disponíveis no link acima, que instalará o Package Control, permitindo a instalação do Corona Editor.

Passo 2: Corona Editor

Agora que possui o Sublime Text instalado com o Package Control, é hora de instalar o plugin Corona Editor. Para isso, vá no menu Tools, Command Palette e procure o Package Control: Install Package. Agora procure pelo Corona Editor na janela que se abrirá e é só mandar instalar. Assim que estiver instalado, reinicie o Sublime para ter acesso ao novo menu e demais recursos.

O link a seguir contém todas as instruções originais, em Inglês: https://sublime.wbond.net/packages/Corona%20Editor

Testando o Corona Editor

Passo 3: Testando

Agora que está tudo devidamente instalado, você terá acesso a um novo menu no Sublime chamado Corona Editor, onde pode executar uma série de ações e entre elas, depuração e execução de scripts Lua diretamente no Corona Simulator, que é o emulador de dispositivos móveis da Corona Labs. Resumidamente, codifique Lua no editor de código e aperta F10 para mandar executar no simulador. Muito mais prático do que as soluções que eu havia apresentado nos posts anteriores, não?!

Em breve mais posts sobre Corona!

Quer saber tudo sobre Corona SDK? Compre já o meu livro!

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Corona SDK | Dica | Mobile

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Dicas para criar boas Palestras - Parte 2: A Apresentação

by Luiz Jr 8. junho 2014 17:52

Então você aprendeu tudo o que precisava sobre como criar slides matadores no último post, não é mesmo?! Se não leu ainda, use este link. Agora lhe darei algumas dicas muito úteis sobre como se comportar na sua palestra, desde expressão corporal, preparativos e a execução da palestra em si. Apenas algumas dicas básicas, importantes, mas não obrigatórias.


Dica 1: Domine o Tema da Palestra


Não invente de sair palestrando sobre temas que você conhece superficialmente ou que não tenha vivenciado na prática. Isso tornará sua palestra flácida e você irá rachar a cara na hora das perguntas.


Dica 2: Não tenha vergonha


Sim, isso é muito difícil para muitas pessoas. Uma dica é não olhar as pessoas nos olhos, exceto quando estão lhe perguntando algo. Olhe para um ponto fixo no fundo da sala, como a porta de saída. Evite encarar sua platéia e terá menos problema.


Dica 3: Ensaie Antes


Chame alguns amigos. Palestrar para eles lhe deixará menos ansioso e servirá como prática para medir o tempo da palestra e testar a sua capacidade de fazer-se entender. Só depois parta para uma platéia de verdade.


Dica 4: Saiba quem é sua platéia


Caso não tenha como saber de antemão, pergunte antes de começar a falar sobre o assunto como é o nível de conhecimento do pessoal sobre aquele tema. Tenha a capacidade de ajustar-se conforme o grau de experiência da palestra e para isso é importante dominar o assunto.


Dica 5: Leve a Apresentação em mais de um formato


Mesmo que vá usar seu notebook, é sempre mais seguro levara  apresentação em formatos bem conhecidos e se possível, mais de um formato. Exemplos incluem PPT e PDF como excelentes formatos. Em último caso, formatos de imagem não terão problemas em nenhuma plataforma. Como medida final de segurança, leve em mais de uma mídia: HD + pendrive, por exemplo.


Dica 6: Certifique-se da estrutura


Pergunte de antemão se vai ter microfone, áudio, projetor, computador da instituição, etc. Não deixe para descobrir na hora que o vídeo que você ia passar, ninguém vai escutar pois não te alto-falantes no auditório.


Dica 7: Seja engraçado


Se a sua empresa ou você não fazem questão de parecerem sérios, aproveite. Quando possível e adequado ao slide, inclua alguma imagem bacana. Passe essa visão mais descontraída da empresa pois esse pode ser justamente o seu maior diferencial. Não precisa fazer piadas ou coisa do tipo, mas quando não sabe a resposta de algo, se esquive com alguma frase engraçada, isso irá diminuir a tensão e fará com que o público não se sinta intimidado. Quando quiser que o público entenda algo realmente abstrato e complexo, busque analogias ao mundo real, especialmente as mais engraçadas como dizer que o Firewall é como um “guardinha de shopping” ou que as ACLs são como as “secretárias dos escritórios”, o guardinha até pode deixá-lo entrar na empresa, mas a secretária sabe que você não tem permissão de entrar na sala do chefe.


Dica 8: Não fale rápido demais


Para pessoas mais tímidas, falar rápido significa terminar a palestra de uma vez. Evite isso, fale devagar, explique bem os conceitos, deixe espaço aberto para as pessoas dialogarem contigo durante a palestra. Quando estiver ensaiando e notar que está falando rápido demais, coloque uma caneta atravessada na boca e repita seu discurso, quando se acostumar e estiver entendendo o que está falando, esta é a velocidade ideal para palestrar.


Dica 9: Seja ético


Não faça apologia à atos criminosos, inclusive pirataria e plágio. Não cite nomes ao falar mal de práticas de empresas ou funcionários.


Dica 10: Não cometa gafes


Não faça propaganda de cursos rivais à instituição de ensino em que você está ou mesmo das instituições rivais. Cuide para que sua apresentação esteja adequada ao público desta instituição. Não fale palavrão e use o mínimo possível de gírias, mesmo quando tenta ser engraçado. Jamais faça menção que os alunos não deveriam estar naquela faculdade ou naquele curso, jamais critique a forma como a instituição mantém o curso, seus conteúdos, professores, etc. Jamais diga que o estudo formal não é importante dentro de uma faculdade assim como você jamais diria que os corintianos são maloqueiros em plena torcida da Gaviões.


Dica 11: Apresente-se de forma dequada

Apresente conforme a situação assim o exigir, preferencialmente realçando suas qualidade. Não possui graduação? Apresente-se como um profissional com x anos de experiência. Não possui muita experiência? Apresente-se como um estudioso da área y. Possui graduação e anos de experiência em diversas áreas? Cite apenas as que interessam à palestra em questão. Afinal, ninguém foi lá para ouvir da sua carreira e esta apresentação serve para dar alguma credibilidade ao que você está falando.


O que fazer se...


Algumas dicas de como se comportar ou se livrar de situações embaraçosas:


O que fazer se...eu não souber o que fazer com as mãos?


A melhor saída aqui é deixá-las ocupadas. Use um laser pointer e fique o tempo todo mostrando alguma coisa nos slides. Laser pointers são baratos (U$11 no Dx.com) e muito úteis, visto que funcionam como trocador de slides à distância também. Alguns laser pointers também incluem uma varinha que pode ser usada para apontar coisas mais próximas.

Assista palestras de outros palestrantes no Youtube, principalmente dos famosos como Steve Jobs, Roberto Shinyashiki e Eduardo Tevah. Verá que todos tem uma maneira diferente de usar as mãos e gestos na palestra e obviamente, nenhum deles as colocam nos bolsos...


O que fazer se... eu esquecer o que ia dizer?


É para isso que servem os PPTs! Além de servirem de pano de fundo para a apresentação, a idéia de usar uma apresentação em slides é justamente definir um cronograma a ser seguido, de outra forma facilmente esqueceríamos da ordem que devemos citar as coisas. Olhe o PowerPoint e veja os tópicos que estão lá, só não cometa a gafe de ficar lento textos do owerPoint (textos esses que nem deveriam estar lá para começar...).

Você também pode manter registro dos tópicos ou de lembretes em papéizinhos também, tipo o que o Faustão faz. Palestrantes mais modernos tem usado um tablet ou smartphone com tela grande para esse tipo de uso. Os mais descolados inclusivem trocam os slides através de seus iPads ou iPods Touch...


O que fazer se...todo mundo estiver me olhando?


Isso é o mínimo que se espera de seu público, afinal, a palestra é sua! Mas se estiver lhe incomodando, evite de olhar seu público nos olhos, imagine que está ensaiando sozinho e foque em um ponto fixo no horizonte. Essa é uma antiga técnica de teatro e funciona muito bem, finja que está olhando para alguém, mas não mire ninguém da platéia.

Esqueça neste momento que você é José Bezerra, programador pacato de uma empresa privada, finja que você é Flynn Rider, um palestrante sagaz e descolado que mantém a platéia vidrada em suas palavras. Apesar de soar difícil, palestrar é como teatro, as pessoas não lhe conhecem realmente e não sabem o que vai acontecer exatamente na peça, então você tem a liberdade de mudar a sua personalidade para se sentir mais confortável.


O que fazer se...eu não souber a resposta de uma pergunta?


Seja sincero e peça que o espectador lhe envie um e-mail depois, que você irá buscar a resposta. Se possível, descontraia dizendo algo engraçado como “Bah, me pegou!” ou algo como, “Sabia que ia ter alguém pra perguntar isso!”. Se isso acontecer com uma certa frequência, talvez não seja uma boa continuar com a palestra deste tema em outros lugares, pois talvez você não domine realmente o assunto.

Não há nada de errado em cometer um deslize desses de vez em quando, afinal, é praticamente impossível cobrir 100% dos aspectos inerentes a uma tecnologia ou assunto, apenas evite que isso se torne rotina e se prepare mais para a próxima vez!


O que fazer se...eu chegar antes do horário e já tiver platéia?


A melhor coisa que você pode fazer, assim que terminar de testar os equipamentos e deixar sua apresentação em ponto de bala é puxar conversa com o pessoal. Faça perguntas que eles tenham de levantar as mãos para responder: “Quem aqui já conhece .NET?”, “Quem aqui trabalha com programação?”, “Tu aí de branco, trabalha aonde?”, “Nesta instituição tem alguma cadeira que mostre ORM?”, “Qual o semestre do pessoal que está na palestra?”, “Qual o curso?”. Coisas desse tipo ajudam a interagir com o público e quando menos esperar já é hora de começar a palestra.

Algumas dessas perguntas, além de matarem algum tempo, permitem que você possa conhecer melhor sua platéia e talvez até repensar sua estratégia de transmitir o conteúdo, talvez adequando os exemplos à realidade da platéia, coisas desse tipo.

Espero que tenham gostado dos posts, deixem suas dicas nos comentários!

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Dica | Experiências

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Dicas para criar boas Palestras - Parte 1: Os Slides

by Luiz Jr 8. junho 2014 17:32

Decidi agrupar algumas linhas-guia para criação de boas palestras. Elas são fruto de alguns anos assistindo palestras de outras pessoas e porquê não dizer de anos de experiência criando palestras para os outros assistirem. Entenda que são apenas isso, guidelines, e não regras escritas em pedra.

Tudo o que está aqui não tem validade científica, é apenas fruto das minhas experiências de 7 anos fazendo teatro em até 3 grupos simultâneos e de 4 anos dando palestras e cursos em dezenas de instituições. Enquanto que no teatro fazia peças diversas para público infantil, adolescente e até mesmo mais erudito, as palestras em si sempre foram corporativas com tom técnico, mesmo que em segundo plano tivessem um viés motivacional. Criei programas de palestras e cursos que foram ministrados em dezenas de instituições de ensino técnico e superior pelo estado do RS.


Estrutura da Apresentação

Tenha em mente os seguintes slides na sua apresentação:

Slide 1: Inclua uma capa

A apresentação deve ter um título informando o tema da palestra. Esta capa do PPT deve estar visível desde o momento que você conectou seu PC no projetor até você dar o início à palestra e ter que trocar de slide.

Se você não vai colocar um slide de apresentação após a capa, não esqueça que você deve se apresentar formalmente ao público antes de partir para os demais slides. Uma apresentação formal pode ser: “Bom dia pessoal, primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos e agradecer o convite feito pela escola. Meu nome é Fulano da Silva e sou [profissão] na empresa X trabalhando diretamente com projetos do tipo tal.”

Coisas interessantes a incluir nesta apresentação é a sua formação, caso ache que seja interessante apresentá-la ao público, e principalmente, o seu tempo de experiência na área que está palestrando, mesmo que diga apenas há quantos anos é desenvolvedor de software em geral. Se você quer que o público seja mais interativo, convide-os a lhe interromper a qualquer momento durante a palestra, senão eles não vão fazê-lo por educação, mesmo se tiverem dúvidas.

Slide 2: Cronograma

Inclua um slide apenas para exibir os tópicos que serão abordados na palestra, como se fosse um sumário.

Slide 3-?: Estado da Arte ou Introdução ao Tema

Mesmo que a palestra seja voltada a um público muito fera, sempre é importante relembrar conceitos ou introduzir o assunto que será abordado no restante da palestra. É sobre Entitiy Framework? Fale sobre ORM antes. É sobre ASP.NET MVC? Fale sobre o padrão MVC. É sobre Cloud Computing? Defina o termo. Isso irá ajudar a nivelar o pessoal e a ambientá-los com o tema que será abordado. Use quantos slides achar necessário, mas mantenha controle do tempo total da palestra.

Slide 4-?: Conteúdo Central

Aqui vão os slides centrais da palestra com o conteúdo proposto. Para construção destes slides use as regras gerais definidas mais abaixo. É de bom tom quando for fazer uma demonstração prática, incluir um slide avisando isso, principalmente para que não se esqueça.

Slide 5-?: Conclusões

Aqui vão os slides de encerramento da palestra. Você faz suas considerações sobre o assunto, defina tópicos que seriam interessantes de serem estudados pelo pessoal para se aprofundarem no assunto, etc.

Slide 6: Dúvidas

Deixe um slide em branco apenas para solicitar que o pessoal da platéia tire dúvidas contigo. Muitas pessoas deixam para o final da palestra suas dúvidas e essa é a hora que elas tem de expressá-las em público. Na hora de responder, seja humilde e reconheça se não entendeu a pergunta ou se não sabe a resposta de “bate-pronto”. É de bom tom dizer que ficará mais alguns minutos após a palestra para tirar dúvidas em particular caso alguém tenha mais dúvidas que o tempo da palestra. Durante as dúvidas, é possível trocar para o slide de Contato (ver adiante) para que o público já vá copiando seus contatos, especialmente se está com pouco tempo.

Slide 7: Contato

Muito importante, disponibilize um slide com os seus contatos. Apresente-se rapidamente no topo do slide e coloque contatos como e-mail, Twitter, blog pessoal, etc. Dê um tempo neste slide para que o pessoal possa copiar os contatos.

Slide 8: Referências

Inclua quantos slides forem necessários para disponibilizar as referências da palestra. Como referências entenda os links importantes ao público. Valem links com tutoriais sobre o assunto, link oficial sobre o assunto, link para download de ferramentas utilizadas na demonstração e por aí vai. Antes de encerrar a apresnetação, não se esqueça de agradecer novamente a oportunidade e desejar a todos um bom dia/noite, etc.

Regras Gerais

Embora não sejam relacionadas à apresentação digital em si, estas regras ajudam a não se perder na hora de apresentar a palestra ou mesmo de não cometer gafes.

Regra 1: Evite os slides eternos

Jamais deixe uma apresentação parada em um slide por mais de 2 minutos enquanto você fala indefinidamente. Para uma palestra de 1h, imagine que um bom número de slides é 30, sendo que você vai falar cerca de 2 minutos para cada slide e vai ter alguns minutos para perguntas e respostas.

Regra 2: Revise a Gramática

Jamais deixe erros de Português nos slides. Revise com algum colega para ver s enão deixou escapar nada. Nada é pior do que um Bacharel em alguma coisa apresentando textos com erros ortográficos. É ridículo.

Regra 3: Seja educado

Sempre se apresente no início da palestra. Não seja arrogante ao ponto de pensar que todos o conhecem. Caso não conheçam a empresa que você trabalha, é de bom tom apresentá-la também, mas sem puxar pra assuntos comerciais ou venda de serviços. Deixe claro que você não está palestrando pra vender, mas para disseminar conhecimentos. Agradeça no início e final de palestra pelo convite e pela participação de todos.

Elogie quando alguém fez uma boa pergunta, isso fará com que outras pessoas fiquem motivadas a perguntar. Perguntar o nome da pessoa antes de responder sua dúvida também torna a interação menos formal. Por mais petulante que algumas pessoas sejam, evite descer ao nível delas. Explique seu ponto de vista, defenda o que está dizendo com argumentos sólidos e não apenas com intimidação barata como “minha empresa é maior que a sua”, “minha graduação é maior que a sua”, etc. Já esteja preparado para discussões e evite que as mesmas virem “acaloradas”. 

Regra 4: Evite os Vídeos

Vídeos podem ser ótimas ferramentas para entreter o público, mas desde que não ultrapassem 5 minutos da palestra. Qualquer coisa além disso faz com que a sua presença se torne menos importante para o público e vídeos longo tendem a dispersar a platéia.

Regra 5: Evite os Textos

Coloque apenas tópicos nos slides ou no máximo a definição formal de um assunto a ser abordado. Jamais escreva parágrafos inteiros de texto e principalmente, não inclua transcrições literais sem citar as fontes, sempre vai ter alguém na platéia que vai saber que você copiou aquele trecho de algum lugar.

Regra 6: Abuse das Imagens

Uma imagem vale mais que mil palavras. Abuse delas, desde que tenham a ver com o contexto que está sendo abordado. Misture essa regra com a do “Seja engraçado” e você vai ver como o público estará sempre atento esperando pelo próximo slide.

Leia a parte 2 neste link!

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Trabalhe 4 horas por semana

by Luiz Jr 23. abril 2014 08:44

Trabalhe 4 Horas por Semana

Não, eu não sou nenhum inventor de algum método mirabolante de redução de jornada versus aumento de capital. Na verdade quem faz isso é Timothy Ferriss, autor de Trabalhe 4 horas por Semana (4-Hours Workweek no original), livro que venho comentar aqui hoje. Tim Ferriss é um sujeito um tanto curioso, autor de alguns livros de produtividade pessoal como esse que acabei de citar, o 4 Hours Chef e o 4 Hours Body, sendo o primeiro para se tornar um grande cozinheiro praticando pouco e como ficar em forma malhando pouco. Obviamente a primeira coisa que você deve pensar é que ele é um charlatão. Eu também pensei isso, principalmente quando li a instigante frase no topo do livro: "Não leia este livro a não ser que queira largar seu emprego".

Tim Ferriss é um bom-vivant. Viaja pelo mundo inteiro, tem seu programa de televisão, já teve empresas que faturavam muita grana, mas sempre decidiu por não ser mais um rico tradicional. Campeão de kickboxe chinês e vencedor de prêmios de Tango, ele se auto-intitula um novo rico. Os novos ricos segundo Ferris são as pessoas que não trabalham até quase enlouquecerem durante 35 anos de sua vida para depois de velhos começarem a aproveitar seu dinheiro. Ele introduz no livro o conceito de viver como rico, e não o de ser rico, Fala de micro-aposentadorias ao invés de aposentadoria total, mas principalmente fala de produtividade.

O livro inicia falando um pouco da vida de Ferris e sua inquietude eterna com os métodos tradicionais de ganho de dinheiro vs horas trabalhadas. Para ele a equação nunca bateu, pois você deve trabalhar muito para ganhar dinheiro, mas trabalhando muito não tem tempo de gastá-lo. Em sua busca por otimizar seus resultados sem aumentar sua jornada de trabalho, ele acabou conseguindo meios de como ir além disso, como reduzir sua jornada para algo próximo de 4 horas de trabalho por semana e mesmo assim viver como um milionário. E Ferris passa todas as técnicas no livro.

Mais do que a biografia de um jovem fora da curva, o livro narra as experiências de outros novos ricos que usaram de técnicas parecidas para tomarem as rédeas de suas vidas e finalmente serem felizes. Workaholics que pareciam afundados em trabalho conseguiram voltar à tona e fazer mais do que apenas respirar, mas curtir a vida. Com técnicas como priorização e terceirização de tarefas, Ferris vai ensinando como maximizar o seu tempo e resultados, mas não para poder trabalhar ainda mais, mas para trabalhar menos.

Se estou aplicando alguma delas? Sim. Obviamente sou um cara mais ortodoxo que ele, e jamais seguiria à risca tudo que é descrito no livro. Mas a reflexão provocada pelo mesmo é muito interessante e os próprios exercícios descritos no livro são extremamente estimulantes para que os leitores saiam de sua zona de conforto para maximizar os resultados. Fica a dica de uma das melhores leituras de auto-ajuda que fiz nos últimos anos. Sim, o livro é de auto-ajuda. Que preconceito seu hein... ;)

O livro não é difícil de encontrar e o download do PDF dele também não. Entretanto, recomendo comprá-lo. Não é caro e estará prestigiando o trabalho do autor, que aliás é muito bom. Recomendo também visitar o blog dele, o http://fourhourworkweek.com/blog/, onde ele dá diversas outras dicas, bem como convida outros Novos Ricos a postarem suas experiências.

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Dica | Livros

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