LuizTools 2.0

Desde 2010 codificando minhas ideias!

2 anos de Busca Acelerada

Hoje faz 2 anos que o site do Busca Acelerada (http://www.buscaacelerada.com.br) está no ar ininterr

Hoje faz 2 anos que o site do Busca Acelerada está no ar ininterruptamente. Este que foi um dos meus maiores projetos pessoais, contrariando todas as estatísticas do mercado, permanece de pé como uma das melhores opções para se encontrar as melhores ofertas de veículos e autopeças da Internet brasileira.

Na verdade a história do Busca Acelerada é mais longa que apenas estes últimos 2 anos. Em 2010, mesmo ano de lançamento do LuizTools, o Busca Acelerada saiu do papel em outubro para se tornar uma tímida tentativa de mapear todos os classificados de carros da Internet. Na época eu e o Adriano, os fundadores iniciais, tínhamos mapeado os 5 maiores sites do RS e mais uns 4 do restante do país e, em tempo real, lhe trazíamos as ofertas deles em uma única interface de resultados. Devido à diversos problemas técnicos, conflitos com nosso provedor de hospedagem na época e o peso do meu TCC da graduação sobre meus ombros, acabamos decidindo abortar a missão 2 meses após seu lançamento, eu, o Adriano e o Lucas, que acabara de entrar no time para ajudar com o desenvolvimento.

Dois anos depois, em 2012, as constantes indagações de nossos amigos sobre o motivo do projeto não estar no ar, sendo ele tão útil, me fizeram voltar a pensar à respeito. Eu já estava formado fazia algum tempo e no momento estava iniciando minha segunda pós-graduação (não que eu tivesse terminado a primeira, mas essa é outra história...), estava muito estável no serviço e minha taxa de crescimento financeiro/pessoal também estava muito estável. Até demais. O principal empecilho técnico, que era a busca real-time nos sites de classificados, poderia ser solucionada usando diversas técnicas que acabei aprendendo ao longo dos anos para construção de robôs de busca mais eficientes, mas desta vez queríamos fazer da maneira correta, afinal na primeira vez não ganhamos nenhum centavo e muita dor de cabeça. Como que podemos construir nossa startup do zero novamente com o mínimo de tempo e esforço?

Então conhecemos o pessoal da Semente Negócios, fizemos um incrível curso de Lean Startup e Métodos Ágeis, sendo que estes últimos eu já conhecia de ponta-cabeça, e aprendemos alguns conceitos muito importantes como Lean Canvas e Lean Startup. Com esses artefatos em mãos, em 15 dias o Busca Acelerada estava no ar novamente apenas em minha cidade, Gravataí/RS. Foi o suficiente para vermos que a ideia tinha tanto potencial quanto antes, ou até mais, de dar certo. Entretanto, haviam se passado dois anos e já não eramos mais a única startup brasileira a fazer isso...

Concorrentes de peso apareceram. Não só apareceram como levantaram capital muito rápido, na casa dos milhões. A competição se tornou desleal e a nossa ferramenta crescia timidamente a taxas de 40% ao mês durante o primeiro ano, enquanto que os concorrentes estavam (e ainda estão) muito distantes de nós. Acabei pedindo demissão do meu emprego para me dedicar full-time à startup e em pouco tempo já estava conversando com clientes, com investidores e expandindo para o Brasil inteiro.

Em menos de um ano acabou o dinheiro que havia guardado inicialmente para minha viagem de estudos à Europa e que havia sido transformado no capital de giro da empresa. Falando em capital de giro, nunca aprendi tantas coisas diferentes sobre administração, contabilidade e marketing do que nos últimos dois anos administrando o Busca Acelerada. Sem caixa, a busca por investimento ficou mais agressiva, mesmo porque nosso faturamento era baixo e queria o quanto antes trazer meus sócios para a empresa, que nessa época eram 3, com a entrada do Tiago Fonseca, que também aparece na foto do post. Depois de avaliar algumas propostas, todas de investimento anjo, acabamos optando por fechar com um fundo porto alegrense chamado Investac, mantenededor da estreante no mercado, WOW Aceleradora, que eu já comentei em outro post.

Com o investimento, conseguimos montar nossa equipe full-time, embora tenhamos perdido o Tiago que decidiu trilhar outro caminho, e passamos a profissionalizar muitos processos, a gestão da empresa e evoluímos muito o produto. Com linhas de atuação bem definidas, passamos a prospectar clientes timidamente uma vez que nosso forte nunca foi vendas, e lançamos a esta altura a terceira versão do site que nos ajudou a disparar na pesquisa orgânica do Google, alcançando quase 400 mil visitantes mensais. Lançamos uma versão mobile do nosso site que em breve deve entrar na sua segunda versão. Lançamos um protótipo de Central de Peças que em breve também deve entrar na sua segunda versão. Lançamos nosso blog, que hoje cresce timidamente com o apoio de conteúdo da nossa produtora parceira, Opideia. E muitas, mas muitas melhorias no que sempre foi o nosso core: a pesquisa de veículos. O que inicialmente era apenas uma caixa de texto para buscar carros hoje é uma engenhosa engine de busca com 5 verticais (carros, motos, caminhões, náutica e autopeças), milhares de usuários registrados, cadastro e envio automático de alertas, geolocalização, filtros e busca avançada e sempre com foco na qualidade dos resultados. Ganhamos alguns prêmios, fomos finalistas em vários concursos e inclusive viajamos pela empresa algumas vezes, até para o exterior!

Essa história já tem 2 anos e tem muitas coisas bacanas que planejamos para os próximos meses. Talvez as melhores destes últimos 2 anos e esperamos que todos gostem. Obrigado pela sua visita e volte sempre.


4 anos de LuizTools

Não, hoje não é o aniversário oficial do blog, que foi lançado em 19 de dezembro de 2010. Mas já faz

Não, hoje não é o aniversário oficial do blog, que foi lançado em 19 de dezembro de 2010. Mas já faz quase 4 anos desde que criei este que foi na época meu terceiro, e atualmente mais duradouro, blog. Na verdade o LuizTools vinha enfrentando problemas técnicos por motivos desconhecidos já há alguns meses, com bugs na home do blog, impossibilidade de comentar e por aí vai. Eu estava usando uma versão tão velha do CMS .NET Blog Engine que nem mesmo reinstalando ele conseguia resolver os problemas. Sem novas desculpas para adiar uma repaginação do blog, eis que lanço a versão 2.0 do LuizTools!

Esta versão ainda usa o CMS .NET Blog Engine, minha plataforma de blog favorita, mas desta vez a recém lançada versão 3.0 (o blog anterior usava a versão 1.6) da plataforma, que é toda desenvolvida usando padrões mais modernos como ASP.NET MVC e com o apoio de Bootstrap e JQuery, coisas que eu mal conhecia em 2010. Não é à toa que resolvi dar uma recauchutada no blog, já tem alguns dias que voltei a escrever nele e não somente isso, mas que voltei a fazer algumas coisas de que gosto tanto quanto ler bons livros, desenvolver games para celular, dar cursos de extensão e por aí vai.

Esse ano tem sido um ano bem mais tumultuado que os demais. E não pela quantidade de trabalho, que sempre foi alta, mas pela quantidade diferente de desafios e emoções a que estou sendo submetido e isto ou te enlouquece ou te põe a cabeça no lugar, que foi o que aconteceu comigo. A pressão faz com que você se obrigue a repriorizar as coisas que estão diante de você e decidir o que quer e o que não quer fazer com sua vida. A pressão de, por exemplo, ter chegado aos 26 anos e estar mais perto dos 30 do que dos 20, faz você pensar se quer que os próximos anos sejam iguais aos anteriores e não, a resposta é definitivamente não.

Hoje, quase 4 anos depois de lançar este blog no ar e relendo alguns antigos posts me mostram o quanto mudei. Nesse ínterim terminei a graduação, comecei e abandonei o mestrado, terminei uma especialização, sai do meu emprego na RedeHost por onde fiquei 5 anos e que cujas aventuras renderam tantos posts aqui no blog. Ajudei a lançar um livro no Brasil sobre programação móvel, área da minha pós. Abri duas empresas, sendo uma de consultoria e uma startup de Internet. Terminei meu curso de Inglês. Participei de muitos cursos e eventos de startups, inclusive indo para o exterior. Virei finalmente professor universitário, que era um antigo sonho e até o final do ano nasce o meu filho querido, que já está no sexto mês de gestação na barriga da minha amada esposa. Isso só para citar alguns highlights.

Sei que ser blogueiro é ser um espécime em extinção, principalmente se seu blog não tem fotos bizarras, vídeos amadores ou faz piadas com gente famosa. Não sei exatamente o que leva a escrever o material que coloco aqui no blog. Um misto de terapia com solidariedade? Egocentrismo? Marketing pessoal? Nunca defini ao certo o meu posicionamento com esta página e acho que isso vai continuar assim, pois no fundo, isso é o que me define. Ou seria melhor dizer, o que não me define? Afinal, quando me perguntam o que eu faço da vida, nunca sei por onde começar.

Mas sem me extender demais, tenho muito o que (voltar a) escrever por aqui. Tenho lido muito ultimamente e sou o tipo de cara que adora influenciar as outras pessoas a lerem. Tenho dado alguns cursos, e muitas aulas como professor regular, o que tem melhorado bastante a minha capacidade de criar bons tutoriais técnicos. Mas principalmente, estou para lançar uma edição nova do livro sobre Corona SDK que traduzi e estou trabalhando em um novo projeto de game mobile usando esta incrível plataforma, que quero compartilhar com vocês. Afinal, qual é a graça se você for o único que joga os jogos que desenvolve?

Até breve. E vida longa e prospéra ao blog LuizTools!

O que os investidores estão buscando? - Parte 3

Mais algumas dicas sobre minhas experiências com investidores.

No ano passado, quando finalmente decidi me aventurar e abrir minha própria startup, passei a estudar profundamente as características que envolvem este "mercado", se é que podemos chamá-lo assim. Desde cursos, eventos, livros e blogs, devorei tudo o que podia sobre o tema, para me certificar que teria os subsídios intelectuais necessários para fazê-lo. O time eu tinha, meus amigos e atuais sócios Adriano Costa e Lucas Pfeiffer e a ideia também, seria o Busca Acelerada, um motor de pesquisa especializado em classificados automotivos. Faltava um terceiro item, que era o dinheiro, e ainda um quarto, que era a experiência em ter uma empresa, assuntos deste post.

Este post é uma continuação, embora eu nunca tivesse tido a intenção de criar uma série de posts. Para conferir a parte anterior, veja este post.

Smart Money

Dentro do mundo das startups existe um conceito chamado smart money. Que todo mundo precisa de dinheiro isso não é novidade, mas nem sempre o dinheiro por si só resolve o problema, se não souber onde aplicá-lo. Histórias de ganhadores da Mega Sena falidos são o que há de mais comum, assim como de startups com investimentos milionários que fracassaram (Shoes4You recentemente passou por isso, e até mesmo o Peixe Urbano não está muito bem das pernas atualmente). O smart money é o casamento entre capital intelectual e financeiro, onde o investidor também se torna parte da equipe, talvez não no dia-a-dia, mas como um mentor mais experiente para ajudar a tomar as decisões mais difíceis, abrir portas para alguns mercados e/ou clientes, entre outras coisas.

Dentro da ideia de smart money temos alguns Investidores Anjo, que passam a atuar de maneira bem próxima à startup, e as Aceleradoras, que são entidades que funcionam de forma análoga às incubadoras tecnológicas, mas com aporte de capital e participação societárias nas startups que serão aceleradas. Independente da opção o intuito é o mesmo: ajudar a startup a ter uma tração inicial para seguir seu caminho rumo a consolidação de um modelo de negócios rentável e escalável.

Quando notei que não conseguiríamos fazer o Busca Acelerada crescer apenas com nossas economias pessoais e principalmente com nossos conhecimentos, decidi que era hora de ir atrás de Smart Money de verdade. Já havia feito pitches e outros tipos de apresentações, mas nunca com 100% de intuito em levantar fundos e mentoria para a startup, o que muda bastante a situação. Abaixo segue o vídeo do pitch que fiz durante a Demo Brasil 2013, maior evento de startups da América Latina, do qual estivemos entre os finalistas.


Aceleradoras de Startups

Como não havíamos arranjado ainda um escritório para a startup (usávamos apenas meu home-office) e tínhamos quase nenhuma experiência com práticas comerciais e operacionais de uma empresa, achei que recorrer a uma aceleradora era uma boa alternativa. Existem diversas pelo Brasil, embora a concentração maior seja em São Paulo e Rio. As primeiras aceleradoras surgiram tem poucos anos, e diz-se que foram moldadas pelo padrão proposto pela Y Combinator, que até hoje é a aceleradora que detém o maior percentual de startups bem sucedidas mundialmente. Aqui no Brasil elas tem começado a aparecer tem uns 3 anos e mais recentemente ganharam força através do programa Startup Brasil do governo federal, que em parceria com as mesmas levanta investimentos a fundo perdido para ajudar negócios de base tecnológica com grande potencial de crescimento a se tornarem "empresas de verdade".

Basicamente o que uma aceleradora faz é selecionar os melhores projetos que puder encontrar, para então investir tempo, dinheiro e infraestrutura neles, visando torná-los maiores e mais rentáveis a ponto de fazer com que valham muito dinheiro. Obviamente elas não fazem isso apenas pelo bem-estar dos empreendedores e existe a necessidade de incluir a aceleradora no quadro de sócios da empresa, o que garante à elas a possibilidade futura de venda dessa participação para outros fundos maiores, reavendo o investimento inicial com uma margem de lucro (obviamente muito superior ao investimento realizado). As quantias investidas costumam ser baixas, entre R$20 mil e R$150 mil, em troca de participações que variam entre 5% a 50%, embora o mais comum praticado seja investimentos de R$40-50 mil em troca de 25-30%, para empresas em estágio inicial (repito: o mais comum).

Geralmente as aceleradoras funcionam em ciclos semestrais. A cada ciclo a aceleradora seleciona um grupo de startups, geralmente 5, e durante os 6 meses seguintes oferece a possibilidade de incubação em suas dependências. Durante este período também oferece acesso a mentoria especializada sobre os temas necessários ao crescimento da startup, acompanha o mesmo através de reuniões, busca novos investimentos para a startup se necessário e abre tantas portas quanto possível através do seu networking. É um modelo que funciona muito bem, uma vez que o sucesso da aceleradora depende do sucesso das startups aceleradas, pois o investimento realizado não é um empréstimo, ou seja, se a startup falir, o dinheiro terá sido perdido.

A busca por Smart Money em Aceleradoras

Tendo entendido estes pontos, fica mais fácil compreender o porque de termos ido atrás de smart money em aceleradoras. Somos três profissionais técnicos que precisavam (e ainda precisamos) muito de capital intelectual nas áreas que não dominamos, além é claro de algum investimento financeiro. Aqui em Porto Alegre surgiram recentemente 3 aceleradoras, que independente das origens gaúchas aceleram empresas de todo o Brasil. Apesar da juventude das mesmas, os empreendedores por trás delas são conhecidos da cena regional e até mesmo internacional em alguns casos.

Estarte.me: a Estarte.me foi fundada por Maurício Centeno, ex-RBS e tem um pequeno portfólio de startups em processo de aceleração. A aceleradora faz aportes menores, cerca de R$20 mil e detém participações obviamente menores nos negócios que investe. Essencialmente digital, investe em startups web e mobile, incluindo games. Ela possui sede própria onde são incubadas as startups e não possui ciclo de aceleração bem definidos, podendo acelerar novas startups a qualquer momento.

Ventiur.net: a Ventiur foi fundada pelos mesmos criadores da Venti, empresa de projetos que ajuda outras empresas a tirarem suas ideias do papel e levarem para o mercado. Com esse know-how e um fundo de investidores por trás, surgiu a Ventiur, uma aceleradora em rede que busca projetos diversos que possuam inovação tecnológica, potencial de escala e mercado comprovado. Principalmente este último requisito que é avaliado através de um processo de pré-aceleração, onde os candidatos a receberem investimento recebem mentoria e auxílio em seus negócios para ver quais tem maior capacidade de execução e/ou possibilidade de retorno, o que por si só já vale como uma mini-aceleração.

Wow.ac: a Wow foi fundada por grandes empresários como André Ghignatti (Neogrid), Jaime Wagner (Digitel, Plugin, Powerself, Vakinha) e Cassio Bobsin (Zenvia, Mobigroup) que juntos formaram um grupo de 57 investidores que planejam investir em 20 startups até 2014. Além do investimento que varia de R$50 a R$150 mil dependendo do estágio da startup, eles investem também todo o capital intelectual de dezenas de mentores que atuam nos mais diversos mercados, de fundadores a executivos temos membros de empresas como W3haus, ECS, CWI, Google, entre outros nomes conhecidos. Os ciclos de aceleração são semestrais, em turmas de 5 startups.

Acabamos optando por esta última aceleradora devido à sinergia e afinidade que tivemos com os membros da mesma, aplicamos nossa proposta e após algumas entrevistas e uma apresentação ao vivo ao grupo de investidores fomos selecionados.

Mas o que as aceleradoras estão buscando?

Conversando com os investidores antes e depois da seleção, pude finalmente compreender porque fomos selecionados. O Busca Acelerada é um bom projeto, mas existem opções mais seguras de investimento nas quais eles poderiam estar colocando o dinheiro deles. O que não se encontra fácil por aí são pessoas comprometidas com uma ideia e que possuem capacidade para executá-la. Já estávamos rodando o projeto tinha um ano, dois de nós já havíamos largado a segurança dos nossos empregos e trabalhávamos full-time nele. Somos três apaixonados pelo que fazemos. Temos inovação em nosso DNA e a ambição de criar algo global. Somos inexperientes em criação de negócios, em gestão de empresas, em vendas. É verdade. Mas somos muito bons em tirar ideias do papel e enfrentar de frente as adversidades do empreendedorismo. Isso tudo pode soar muito clichê e de fato é, mas pergunte-se quantas pessoas você conhece que tem boas ideias, e destas, quantas executam ou executaram essas boas ideias? É exatamente neste ponto que fomos selecionados.

Se vamos ter sucesso em nossa empreitada, só o tempo dirá. Mas uma coisa posso afirmar: o que tem nos diferenciado é a execução, pois morrer abraçado com as ideias, sem jamais pô-las em prática, não está com nada.